Lula se projetou como o líder popular mais importante no mundo, mais universal, cujo som do nome passou a remeter a justiça social, a dignidade, a um mundo melhor e mais humano. Sua imagem correu o mundo - depois de ter corrido tanto perigo - e provou que um líder de origem popular é quem melhor sente e resolve os problemas das grandes maiorias.
As campanhas do segundo turno, pela experiência brasileira, têm sido decisivas para as vitórias eleitorais, para evitar os retrocesso e para avançar na continuidade e no aprofundamento dos processos de construção de sociedades mais justas, mais solidárias, mais humanas.
O Brasil possui o triste recorde de ter a polícia mais violenta do mundo, a que mais mata. Deveria ser razão para se tornar o maior escândalo do pais. Mas não é, porque é uma polícia que mata a jovens pobres e negros, com a delegação e a aprovação implícita de grandes setores da opinião publica. Carne barata, sangue que jorra das famílias pobres, funerais nas periferias anônimas.
Como a saída de um labirinto não se dá pela reiteração dos mesmos caminhos, mas por cima, rompendo sua repetição mecânica e destrutiva, qual é essa saída? É a formulação de um novo pacto do desenvolvimento com distribuição de renda, congregando a todos os setores interessados na superação da recessão e da crise política.
Lula, quase cinco anos depois de sair da presidência, está muito mais maduro politicamente, com muito mais clareza dos objetivos pelos quais é preciso lutar, consciente do que seu governo não conseguiu fazer e que é necessário realizar ainda no Brasil. É um Lula que lê muito, que multiplica as reuniões para ouvir e para divulgar novas propostas.
O genocídio de jovens negros é o maior escândalo do Brasil de hoje. Se não houver segurança para todos, garantia de vida, de integridade física, direito de ir e vir, direito de viver, acabaremos em uma sociedade de guerra de todos contra todos, do olho por olho, dente por dente uma sociedade do ódio e da intolerância, da violência desenfreada.
O financiamento privado de campanha elegeu, até aqui, não bancadas de partidos, mas de empresas que os financiam, os conhecidos lobbies: do agronegócio, da educação privada, da mídia, da bala, da vaca, dos evangélicos, dos planos privados de saúde, etc., etc. O financiamento é um investimento, que tem como retorno o apoio aos interesses dos que financiaram os parlamentares.
Aceitar os erros não revela fraqueza. Fraqueza é ceder interminavelmente às pressões conservadoras. Grandeza é reconhecer os problemas, os erros cometidos e dar uma virada econômica e política. É aprender do passado, para superar a crise presente e projetar um futuro de continuidade e não de ruptura com os governos iniciados em 2003.
Os que não conseguem decifrá-lo, são devorados por ele. Foi o que aconteceu com a direita e com a ultra esquerda brasileiras. Lula combinou um ajuste das contas publicas com a promoção das políticas sociais como a centralidade da ação do seu governo. Os que só olharam para o primeiro aspecto, ficaram na denúncia da 'traição' de Lula - a ultra esquerda - ou de seu fracasso - a direita.