Sábado, 31 de Dezembro

24/12/2012 - Copyleft

A Primavera Árabe e suas contradições

por Emir Sader em 24/12/2012 às 06:49



Emir Sader

Há dois anos surgiu o mais espetacular movimento de massas que o mundo árabe ja conheceu. Depois de amadurecer lentamente dentro de regimes ditatoriais, os povos tunisino e egípcio saíram às ruas de maneira rebelde e massiva, até conseguir derrubar duas ditaduras que tinham conseguido passar a idéia da sua perpetuidade.

Movimentos de jovens laicos foram a novidade de massas mais importante, quebrando a alternativa com que essas ditaduras tentavam perpetuar-se: ou elas ou regimes fundamentalistas islâmicos.

Mas depois desse protagonismo espetacular dos povos tunisino e egípcio, a primavera não conseguiu se estender ao conjunto da região. Ou melhor, suas tentativas encontraram repressões duras e até mesmo de tropas estrangeiras, ou desembocaram em bombardeios militares – como no caso da Líbia -, que substituíram as manifestações de massa – ou em enfrentamentos militares de parte a parte – como na Síria, entre atos terroristas e bombardeios militares.

O fim de um regime crucial para os Estados Unidos e o risco de que esse precedente se estendesse por toda a região, fez com que as potências ocidentais interviessem de forma direta e militar, levando à queda do regime de Kadafi e desviando assim a natureza inicial da primavera árabe para outros objetivos. A crise na Síria é uma derivação dessas manobras, em que os povos ficam afastados da capacidade de intervenção e de dar inicio à construção de regimes democráticos.

Ao mesmo tempo, eleições colocam novas autoridades nos governos - como nos casos da Tunísia e do Egito – que ainda não expressam as novas forças populares nesses países. Partidos que haviam sido tolerados durante as ditaduras – especialmente muçulmanos – ganham as eleições, mesmo se não com suas expressões mais radicais e governam sem ainda refletir as maiores novidades da primavera árabe, particularmente suas formas laicas.

Para que sejam regimes transitórios, não deveriam, como no caso do Egito, elaborar imediatamente uma nova Constituição, que tem o risco de impor ao país um molde religioso conservador e bloquear um processo aberto de construção da democracia nesses países.

Ao mesmo tempo, esses novos regimes nascentes não podem cair na tentação de acordos com o FMI que, ao contrário de atender seus graves problemas econômicos e sociais, os levará a recessões e a ainda mais graves crises sociais.

São processos ainda abertos e tomara que permaneçam assim por um bom tempo, para que as forças novas, jovens, laicas, possam se organizar melhor e disputar a condução desses processos.

Tags: Internacional





Jean Alves Cabral Macedo - 31/12/2012
Não podemos perder de foco a visão macro quando analisamos um ponto micro.

A visão que temos nunca pode ser desassociada desta abordagem, porque perderíamos a referência e o critério estaria perdido.

Há um grande movimento de gerenciamento em andamento com a finalidade de se unificar as nações numa "brincadeira de mau gosto" chamada Nova Ordem Mundial, onde a identidade das nações está sendo conspurcada por um "bando de marginais" elitistas que estão pouco se importando com as famílias que eles depredam e defraudam.

Isto me leva a pensar que o que ocorre na Primavera Árabe, está diretamente casado com este projeto de quebradeira, porque nos povos árabes, o critério é composto pelas "al-Ummah" que são centros de orientação comunitária focados em interpretar os textos do profeta Maomé.

Nunca haverá democracia nos países islâmicos, porque o próprio conceito de que um sistema criado pelos cristãos é diabólico para eles e, uma das tarefas essenciais do islamismo é combater em toda a Terra a erradicação dos falsos deuses e a soberania única e total de Alá.

Portanto, num momento isolado, um grupo pode fazer um certo barulho, mas em seguida, vai haver uma reação das bases que não abrem mão interpretativa do mundo dentro de mais de 1300 anos de tradição religiosa!

A rota de convivência com os muçulmanos será sempre uma só: guerra! Eles vivem para a guerra! Eles entendem que eliminar as falsas religiões é uma tarefa essencial para a consolidação da única fé, que é a deles e o resto que se dane!


Carlos Potengy B Ribeiro - 26/12/2012
Uma pena pois, parecia um movimento espetacular de transformação que estava ocorrendo nesta região do continente africano. Esperemos por novas provas sem que elas sejam desviadas de suas rotas como fizeram as grandes potencias com estes movimentos. Torçamos por novos movimentos, assim podemos ter esperança em mudanças para estes povos. Sem que o deus mercado dite o ritmo do seu cotidiano.



Lara Almeida - 23/01/2013
O problema de todos os religiosos é a intolerância com as outras religiões... Alguns são intolerantes usando armas, outros usando gritos e outros são intolerantes tentando velar sua intolerância com uma posição aparentemente neutra, aparentemente não manipulada... Criticar as religiões dos povos árabes é o passa-tempo predileto dos religiosos ocidentais, cristãos, em sua maioria. Observação, não sou religiosa e nem participo de nenhuma "filosofia" (porque ainda há os que para sair do rol dos comuns, se dizem filósofos e não religiosos).

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