Cidade Juarez, situada na fronteira norte do México, tornou-se a cidade mais violenta do mundo ¿ afora as dos países que estão em estado real de guerra. O governo de Felipe Calderón jogou álcool no fogo, quando mandou tropas do Exército para supostamente terminar com o narcotráfico e as lutas entre os cartéis ¿ o de Juarez e o de Sinaloa -, tendo como resultado a morte de 2.600 pessoas, de um total de 1.300.000 habitantes.
Segundo The Economist, as raízes da violência na Cidade Juarez vêm da assinatura do Tratado de Livre Comércio da América do Norte, que tornou a cidade em um florescente centro industrial. O surgimento de uma grande quantidade de empregos para mão de obra não qualificada encorajou a jovens a abandonar a escola. Muitos deles são mães solteiras, que deixavam sós seus filhos para ir trabalhar. Até que a recessão produziu um imenso desemprego. Cerca de 80 mil jovens na cidade nem trabalham, nem estudam. A cidade tem muito poucos hospitais e escolas, além de espaços esportivos, culturais, parques, que pudessem ser alternativa para o mundo das drogas.
A violência descontrolada na cidade levou cerca de 100 mil pessoas a cruzar a fronteira para os EUA, apesar da dura crise nesse país, enquanto um numero similar se deslocou para outros estados do país, simplesmente buscando fugir da violência.
Depois que 18 jovens foram assassinados em janeiro, em uma festa, Calderón afirmou que se tratava de ¿gansgsters¿, a paciência da cidade se esgotou e as mobilizações contra o governo se multiplicaram. Calderón foi duas vezes, sucessivamente à cidade - depois de nunca ter ido anteriormente -, mas foi recebido com indignação por parte dos familiares das vítimas e de toda a cidade. Foi anunciar um plano de obras sociais. Se desculpou por seu avião ter chegado com duas horas de atraso. Ao que se lhe respondeu: chegou com dois anos de atraso.