CAROS AMIGOS
Sérgio de Souza, o semeador
Serjão se foi aos 73 anos, e deixou muita gente sem chão. Para a nova geração de jornalistas, ele era o venerado timoneiro da revista "Caros Amigos", criada em 1997 e capitaneada por ele desde então.
Verena Glass
Hoje, pouco antes das 5 horas da manhã, o jornalista Sérgio de Souza faleceu no hospital Oswaldo Cruz, onde estava internado há duas semanas. Teve uma perfuração do duodeno, que debilitou sua resistência física, levando-o a um infarto e posterior infecção generalizada.
Serjão se foi aos 73 anos, e deixou muita gente sem chão. Para a nova geração de jornalistas, ele era o venerado timoneiro da revista Caros Amigos, criada em 1997 e capitaneada por ele desde então. Os caros amigos, no caso, eram em sua maioria antigos companheiros de trajetória, ícones do jornalismo que levaram muitos de nós a correr mensalmente para as bancas em busca de algo que, simplificando, poderia ser definido como “substância”.
Para os caros amigos e velhos companheiros, Serjão foi muito mais do que o diretor da Caros Amigos. Idealizador da primeira revista de esquerda de fôlego e alcance do pós-anos-de-chumbo, ele passou por uma série de pequenos e grandes veículos, “alternativos” e “grande mídia”, sem arranhar a qualidade de seu trabalho. Da Folha de S. Paulo ao Bondinho, do Fantástico à Ex, passando pelo Notícias Populares, Revista Manchete, Quatro Rodas, revista Globo Rural etc., fez história.
Aliás, história mesmo fez com o grupo de amigos que criaram na revista Realidade uma das mais importantes experiências jornalísticas do país. Serjão tinha um dom de ser “chefe”, coordenador; gentil, mas incisivo...
A geração de jornalista da qual Sérgio de Souza foi um dos grandes nomes levou muitos de nós, os mais novos, a atuar na profissão com entusiasmo e respeito profundo à missão de contar o mundo. Contar dores e felicidades, desesperanças e lutas, injustiças e vitórias, enfim, as coisas da qual a vida é feita; contar tudo isso de forma a revelar e desvelar.
Para nós que tivemos o enorme privilégio de estar com Serjão em algum momento de sua vida, alguma farpa da sua força e incrível energia criadora ficou presa num recanto do nosso ser. Sérgio de Souza semeou ventanias. Precisamos, nós, fazer com que continuem ventando ventos de rodamoinhos e transformação.
| COMENTÁRIOS (6 Comentários) | |||
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Se já estamos tão carentes ... | carlinhos medeiros | 26/03/2008 |
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